Direito Tributário | Postado no dia: 15 dezembro, 2025

Novo limite do desconto simplificado do IRPF para 2026: O que mudou?

Calculadora, notas de real e caneta representando o cálculo do desconto simplificado do Imposto de Renda Pessoa Física em 2026.

A Lei 15.270/2025 trouxe uma atualização para quem declara o Imposto de Renda como pessoa física: o aumento do limite do desconto simplificado. Embora traga algum alívio, ela chega após uma década de congelamento, período em que a inflação acumulada ultrapassou 70%. Diante disso, o novo limite — reajustado em pouco mais de 5% — acaba funcionando mais como um alívio simbólico do que como uma correção efetiva do benefício.

Ainda assim, a alteração atinge milhões de contribuintes — especialmente aqueles que optam pelo modelo simplificado buscando praticidade.

Se você quer entender o que mudou e quando vale a pena usar o desconto simplificado, este artigo explica tudo de forma didática e direta.

Como funciona o modelo simplificado?

No modelo simplificado, o contribuinte troca todas as deduções individuais — como despesas médicas, gastos com educação, dependentes, previdência privada, INSS e pensão alimentícia — por um desconto único de 20% sobre a renda tributável, limitado a um teto máximo que varia conforme a legislação.

Essa é uma escolha anual, que deve ser reavaliada sempre que houver mudanças na renda, na composição familiar ou no volume de despesas dedutíveis. Ou seja, o fato de o simplificado ter sido vantajoso em 2025 não garante que continuará sendo a melhor opção em 2026.

👉 O risco de “pagar mais imposto sem perceber”
Muitas pessoas escolhem o simplificado por comodidade, mas acabam:

  • perdendo deduções médicas elevadas,
  • desconsiderando dependentes,
  • deixando de incluir despesas que poderiam reduzir drasticamente o imposto.

A consequência é simples: paga-se imposto a mais sem perceber. Por isso, a análise comparativa continua essencial.

O que mudou no desonto simplificado para 2026?

A nova legislação reajustou o teto do desconto simplificado. Veja os números:

  • Novo limite (2026): R$ 17.640,00
  • Limite anterior: R$ 16.754,34

📌 A regra essencial permanece a mesma: o contribuinte pode deduzir 20% da renda tributável, limitado ao teto.

Na prática, se 20% da sua renda anual ultrapassarem o teto — por exemplo, se chegarem a R$ 20 mil — você só poderá deduzir até R$ 17.640,00.

Impactos do Reajuste

Essa é uma atualização considerada positiva, mas aqui está o ponto crítico:

📌 O reajuste foi muito inferior à inflação acumulada nos últimos dez anos.

Enquanto os preços subiram mais de 70% no período, o limite do desconto simplificado foi corrigido em pouco mais de 5%. Isso significa que o contribuinte está podendo deduzir cada vez menos em termos reais — um fenômeno tributário conhecido como aumento disfarçado da carga fiscal, já que a base de cálculo cresce todos os anos, mas as deduções permanecem comprimidas.

Ou seja, embora se anuncie um reajuste, o efeito prático acaba sendo o de redução do benefício ao longo do tempo.

Para quem vale a pena o modelo simplificado em 2026?

O simplificado beneficia especialmente contribuintes com renda mais baixa ou poucas despesas dedutíveis — como aqueles que não possuem plano de saúde, gastos com escola, dependentes ou previdência privada. Já que esse grupo depende mais do modelo simplificado, qualquer atualização de limite ajuda a reduzir o imposto devido, mesmo com o efeito prático do novo limite sendo pequeno.

É também uma opção vantajosa para quem prioriza praticidade, seja pela rotina corrida, pela dificuldade em armazenar comprovantes ou pela simplicidade no preenchimento da declaração.

O que observar na declaração de 2026?

Para tomar uma decisão segura, observe:

  • Sua renda tributável anual;
  • Se 20% da sua renda atingem ou ultrapassam o teto;
  • O total de despesas dedutíveis de 2025;
  • A existência de gastos excepcionais (cirurgias, tratamentos, previdência privada, etc.).

O simulador da Receita Federal e o comparativo entre modelos são ferramentas essenciais antes de enviar a declaração.

Conclusão

A atualização do desconto simplificado para R$ 17.640,00 representa um avanço pontual, mas não resolve a defasagem histórica causada por anos sem reajuste. Enquanto a inflação acumulada supera 70%, o aumento de pouco mais de 5% mantém o benefício muito aquém do necessário — e, na prática, contribui para uma elevação silenciosa da carga tributária.

Ainda assim, a escolha entre o modelo simplificado e o completo deve continuar sendo feita caso a caso. A diferença entre eles pode significar pagar mais imposto — ou garantir uma restituição maior.

Se você deseja analisar com segurança o modelo mais vantajoso para a sua realidade, contar com uma orientação especializada ajuda a evitar surpresas e garante que o seu imposto seja calculado da forma mais justa possível.