Direito Empresarial | Postado no dia: 3 dezembro, 2025

Comprar empresa em funcionamento: Tudo o que você deve saber

Duas pessoas apertando as mãos sobre uma mesa com documentos, laptop e maquete comercial, representando a negociação para compra de uma empresa em funcionamento.

Comprar uma empresa em funcionamento pode ser um excelente caminho para quem deseja empreender com mais segurança e rapidez. Em vez de começar do zero, o comprador tem acesso imediato a clientes, faturamento, processos internos estruturados e uma marca já conhecida no mercado.

Mas essa mesma vantagem pode esconder riscos sérios. Por isso, entender exatamente o que analisar antes de fechar negócio é o que separa uma compra segura de um problema que pode comprometer o futuro do empreendimento.

Quais os benefícios em comprar uma empresa em funcionamento?

A aquisição de um negócio ativo oferece benefícios que não existem ao abrir do zero:

• Ganho de tempo: a empresa já possui estrutura, processos, ponto comercial e operação organizada;
• Carteira de clientes já consolidada: você começa a faturar desde o primeiro dia;
• Equipe treinada e fluxo operacional pronto: reduz erros e acelera o crescimento;
• Menos incertezas na fase inicial: dados reais ajudam a prever resultados e planejar.

No entanto, justamente por se tratar de algo já existente, é essencial verificar se aquilo que o vendedor promete corresponde à realidade.

Principais riscos escondidos na compra de uma empresa

Por trás de um negócio aparentemente saudável, podem existir passivos que se revelam somente depois da transferência. Os riscos mais frequentes são:

• Dívidas ocultas com bancos ou fornecedores;
• Passivos trabalhistas (ações, riscos de condenações futuras, verbas não pagas);
• Problemas fiscais e tributários;
• Contratos antigos que prendem o comprador a condições desfavoráveis;
• Processos judiciais em andamento;
• Reputação comprometida no mercado.

Um comprador desatento pode assumir responsabilidades que não eram suas ― e que podem inviabilizar o negócio.

Checklist essencial antes da compra

Antes de assinar qualquer documento, faça uma análise completa da empresa. A etapa mais importante se chama due diligence e é indispensável.

✔ 1. Due diligence completa: Levantamento jurídico, contábil, contratual, trabalhista e fiscal. É a base da compra segura.

✔ 2. Auditoria fiscal e trabalhista: Verificar se há débitos, multas, autuações, ações judiciais ou riscos ocultos.

✔ 3. Revisão de contratos: Avaliar contratos com fornecedores, clientes, parceiros e colaboradores. Condições ruins podem afetar diretamente o lucro.

✔ 4. Análise da reputação: Pesquisar avaliações, reclamações, histórico de condutas e eventuais processos judiciais.

✔ 5. Verificação da real lucratividade: Nunca confie apenas na “palavra” do vendedor. Peça provas contábeis dos resultados.

Documentos e cuidados jurídicos indispensáveis

Antes de concluir a compra, é fundamental analisar documentos que revelam a saúde real do negóciocomo contrato social, balanços, DRE, certidões negativas, contratos com fornecedores e clientes, entre outros — essa verificação mostra se a empresa possui dívidas ocultas ou riscos que possam recair sobre o comprador.

Com essas informações em mãos, o contrato de compra e venda deve estabelecer, de forma clara:

• Responsabilidade por dívidas: Quem responde pelo quê? Em que período? Como será a divisão em caso de passivo oculto?
• Cláusula de não competição: Garante que o vendedor não abra um negócio igual logo depois.
• Garantias do vendedor: Podem ser valores depositados em garantia, retenção de parte do preço ou multas específicas em caso de irregularidades.
• Condições de transição: Treinamento, transferência de ponto comercial, prazo de permanência do antigo proprietário, entre outros.

Quando procurar um advogado?

O ideal é buscar orientação jurídica antes de assinar qualquer proposta, inclusive cartas de intenção ou pré-contratos. Uma análise técnica feita no início evita assumir riscos escondidos e permite negociar condições mais favoráveis. O advogado especializado conduz a due diligence, estrutura o contrato e orienta toda a negociação para garantir que o comprador realmente adquira um negócio viável — e não um conjunto de problemas disfarçados.

Conclusão

Comprar uma empresa em funcionamento é uma oportunidade valiosa, mas só se torna um bom negócio quando a decisão é guiada por análise técnica, cautela e apoio profissional. A leitura correta dos documentos, a identificação dos riscos e a formalização adequada do contrato são etapas imprescindíveis para garantir segurança jurídica e tranquilidade ao comprador.

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